Karatê

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Karatê em kanji.
Karatê em kanji.
Golpes de Karatê.
Golpes de Karatê.

Predefinição:Revisão Predefinição:Info/Artes marciais Predefinição:PBPE (Predefinição:Lang-ja, transl. karate ou karate-dō, Predefinição:AFI2)<ref group="Nt">Grafia: "Caraté" ou "caratê" são as formas de grafia correta em língua portuguesa. Todavia, em que pese a vigência do Acordo Ortográfico de 1990, pelo qual as letras K, W e Y passaram a fazer parte do alfabeto, a forma com K deve ser desestimulada, ante o aportuguesamento da grafia, posto que seu uso seja difundido. A variação com acento circunflexo jutifica-se, no Brasil, pela influência da língua francesa, em Portugal, com acento agudo, por recepção directa do japonês, na qual o som da letra final seria aberto.Predefinição:Wikt</ref><ref>Predefinição:Link</ref><ref>Predefinição:Link</ref><ref>Predefinição:Link</ref> é uma arte marcial japonesa que se desenvolveu a partir da arte marcial autóctone de Oquinaua sob forte influência do kenpō chinês<ref name="Higaonna 1985 17">Predefinição:Cite book</ref> (em particular o kung fu da China meridional). Seu repertório técnico abrange principalmente golpes contundentes — atemi waza —, como pontapés, socos, joelhadas, tapas etc., mas técnicas de projeção, imobilização e bloqueios — ne waza, katame waza, uke waza — também são ensinados, com maior ou menor ênfase dependendo do estilo e/ou linhagem.

A evolução da arte marcial aconteceu capitaneada por grandes mestres, que a conduziram e assentaram suas bases, resultando no caratê moderno, cujo trinômio básico de aprendizado repousa em kihon (técnicas básicas), kata (sequência de técnicas, simulando luta com várias aplicações práticas) e kumite (luta, propriamente dita, que pode ser simulada, esportiva ou real).

Ainda que comunguem de similitude técnica de de origem, surgiram vários estilos, escolas e linhagens, dentro umas das outras, que difundem seu modo peculiar de entender o caratê. Tal circunstância, que foi combatida por mestres de renome, acabou por se consolidar e gera como consequência atual a falta de padronização e entendimento entre entidades e praticantes. Daí, posto que aceito mundialmente como esporte, classificado como esporte olímpico<ref name="Olim">Predefinição:Link</ref> e participando dos Jogos Pan-Americanos, não há um sistema unificado de valoração para as competições, ocasionando grande dificuldade para sua aceitação como esporte presente nos Jogos Olímpicos.

O estudioso/praticante do caratê chama-se carateca.


Conteúdo

[editar] História

[editar] Antecedentes

Castelo Shuri.
Castelo Shuri.

O arquipélago de Predefinição:Nihongo localiza-se quase que exatamente a meio caminho entre Japão e China, no Mar da China Oriental. Por causa de sua posição georgráfica, que sempre despertou a cupidez dos dois países, estes não pouparam esforços para estenderem suas influências (culturais e econômicas), tornando a existência de um governo local submetida a conveniência externa.

Entre 1322 e 1429, sucedeu um período denominado de Predefinição:Nihongo quando que se debateram os três reinos de Predefinição:Nihongo, Predefinição:Nihongo e Predefinição:Nihongo pelo controle da região. Tal período acabou com a unificação sob a bandeira única do reino de Ryukyu e sob o comando de Chuzan, que era o mais forte economicamente, inaugurando a primeira dinastia Sho: Sho Hashi. A influência chinesa consolidou-se mais forte.

Entrementes, após a unificação, el-Rei Sho Hashi promulgou um édito que tornou proibido o porte de quaisquer armas por parte da população civil. Considera-se este facto o estopim para a evolução que veio a culminar no caratê, um vez que já existia em Oquinaua uma arte marcial própria. Assim, devido à necessidade de as pessoas terem uma forma de defesa e em razão da proibição real, aquelas técnicas foram-se aperfeiçoando nas camadas mais pobres da população.

Fruto também da proibição de armas foi o desenvolvimento do Kobudo, que transformou o uso de objectos do contidiano em armas, como a tonfa e o nunchaku, que erem originalmente instrumentos agrícolas, para manuseio de moínho e debulhagem de arroz<ref>Predefinição:Link</ref>.

Posteriormente, em 1609, o clã samurai de Satsuma, com aprovação do imperador japonês, subjugou Ryukyu. Por ocasião da invasão, os samurais encontraram pouco ou nenhum revide, porque el-Rei declarou que a vida é o mais importante tesouro. Assim, Oquinaua passou a ser um estado tributário de Japão e China, mas, entonces, com predomínio nipônico, que expôs a cultura local e influenciou sobremaneira o desenvolvimento das artes marciais, sob os valores da classe guerreira. Naquele momento, o clã Satusma introduziu sua própria disciplina Jigen-ryu.

[editar] Okinawa-te

Em meados do século XVII, a arte marcial de Oquinaua já era estabelecidaPredefinição:Sem fontes, sendo conhecida por Predefinição:Nihongo. Também é referida como Predefinição:Nihongo, quando surge a figura de Matsu Higa, renomado mestre de Te e kobudo e estudioso de Chuan fa, que teria aprendido com mestres chineses. Mas já nesse tempo, a arte marcial já vinha evoluindo em três formas distintas, radicadas nas três cidades que as nomearam, Naha-te, Tomari-te e Shuri-te.

Acredita-se que Sensei Higa tenha sido, dentro de seu estilo próprio, o primeiro a estabelecer um conjunto formal de técnicas e chamá-lo de te. Predefinição:Sem fontes

Destacaram-se mais os estilos de Shuri, por ser a capital, e de Naha, por ser o porto e mais importante entreposto comercial. Entretanto, posto que tivesse menor relevo no cenário da época, por ser mormente uma cidade de trabalhadores, pescadores e campesinos, Tomari, devido a exatamente suas características, desenvolveu o estilo peculiar e muitas vezes erradamente confundido com o estilo de Shuri. Ademais, em que pese cada um das cidades ter seu estilo, elas compartilhavam informações e praticantes<ref name="Yamashita">Predefinição:Link.</ref>.

Na linhagem de Shuri-te, seguiram-se a Sensei Higa, mais ou menos numa linha de instrutor e aprendiz<ref name="Mmaun">Predefinição:Link.</ref>, os mestres Peichin Takahara, Kanga Sakukawa e Sokon Matsumura.

Com mestre Takahara<ref group="Nt">Peichin Takahara era um monge de Oquinaua</ref>, já por influência japonesa, o Te vem a receber os três princípios que culminariam com a transformação da técnica numa disciplina muito maior já na transição do século XIX para o século XX.

Ainda no século XVII, o Te sofria fortes influências desde a China ainda. Mestre Sakukawa, por sugestão de Peichin Takahara, foi aprender com o chinês Kushanku — mestre de Chuan fa — e, depois, diretamente no continente. Tais características não passaram despercebidas e calharam em que a arte marcial passou a se chamar Predefinição:Nihongo<ref group="Nt">A forma de escrita kanji, do japonês, usa dos caracteres chineses. Assim, o caractere 唐, quando escrito em chinês, soa como "Tang", pelo que a palavra To-de também faz referência à Dinastia Tang.</ref>, ou ainda Predefinição:Nihongo e Predefinição:Nihongo<ref name="Bushin">Predefinição:Link</ref>.

Enquanto isso, em Tomari, seu estilo seguia sob os ensinamentos de Karyu Uku e Kishin Teryua, que deixariam por legado a Kosaku Matsumora<ref>Predefinição:Link.</ref> e, em Naha, o te evoluia numa direção diversa, com movimento de extrema contração, golpes de curto alcance e condicionamento do corpo para absorção de golpes<ref>Predefinição:Link.</ref>, tudo conjugado a técnicas de respiração<ref>Predefinição:Link.</ref>: Predefinição:Nihongo. Predefinição:Sem fontes

Sob o ministério de Sokon Matsumura, o to-de passou a ter um treinamento mais formalizado com a compilação de uma série mais ou menos fechada de katas e, principalmente, rompeu-se a barreira das classes socias. Com Matsumura, que fazia parte da elite guerreira e da corte de el-Rei Sho Ko e sucessores, o to-de, praticado mormente pelas classes trabalhadoras, passou a ser uma arte militar reconhecida.

Por essa época, ficaram famosos, e quase lendários, os contos sobre as proezas dos artistas marciais de Oquinaua, como a do mestre de Tomari-te, Kosaku Matsumora, que desarmado derrotou um samurai. Assim, o te era conhecido também por Predefinição:Nihongo ou Predefinição:Nihongo.

[editar] Mãos vazias

No fim do século XIX, o caratê ainda era marcado de modo forte por quem o ensinava, não havia, posto que houvesse similitudes entre as técnicas, um padrão, o que dificultava sua maior aceitação fora de círculos restritos, porque era praticado e ensinado num rígido esquema de mestre/aluno<ref name="Ogawa">Predefinição:Link</ref>.

Nesse meio tempo, sobreveio a final anexação de Ryukyu, em 1875, tornando-se a "Prefeitura e Oquinaua". E o que poderia ser o fim tornou-se uma oportunidade, pois terminou com o isolamento da população do arquipélago, incorporados de vez à população nipônica. E coube a Anko Itosu, um discípulo de Matsumura e secretário do rei de Oquinaua, usar de sua influência para tentar disseminar a arte marcial.

O mestre via o te não somente como arte marcial mas, principalmente, como uma forma de desenvolver caráter, disciplina e físico das crianças. Aind'assim, o mestre julgava que os métodos utilizados até a época não eram práticos: o te era ensinado basicamente por intermédio do treino repetitivo dos kata. Entonces, Itosu simplificou o treino a unidades fundamentais, os kihons, que são as técnicas compreendidas em si mesmas, um soco, uma esquiva, uma base, e, além, compilou a série de katas Pinan com técnicas mais simples e que passariam a formar o currículo introdutório. A mudança resultou na diminuição, supressão em alguns casos, de táticas de luta, mas reforçou o caráter esportivo, para benefício da saúde: deu-se relevo a postura, mobilidade, flexibilidade, tensão, respiração e relaxamento.

E atribui-se a ele a mudança de denominação para Predefinição:Nihongo, como forma de vencer as barreiras culturais, as resistências para aceitação, pois como algo com origem chinesa não era visto com bons olhos, ademais porque havia tensões latentes entres os dois países.

Em 1900, aconteceu uma grande emigração deste Oquinaua até o Havaí, resultando na primeira mostra do caratê a ocidentais, eis que o Havaí tinha sido anexado pelos EE.UU. havia aproximadamente dois anos.

O caratê tornou-se esporte oficial em 1902. Evento dramático no desenvolvimento do carate que é o ponto em que se aperfeiçoa a transição de arte marcial para discilplina física, deixando ser visto apenas como meio de auto-defesa<ref name="Ogawa"/>.

Como resultado de seu progresso, Anko Itosu crê ser possível exportar o caratê para o resto do Japão e, em começos do século XX, passa a empreender esforços para tanto, mas não consegue lograr sucesso.

Paralelos a esses eventos, outro influente mestre, Kanryo Higashionna, promovia por si outras mudanças. Ele desenvolvia um estilo peculiar que mesclava técnicas suaves, evasivas e defensivas, e rígidas, e tinha como discípulos Chojun Miyagi e Kenwa Mabuni. A exemplo de Itosu, Higashionna consegiu fomentar os valores neles que levaram até as mudanças futuras que tornariam o caratê mais aceitável.

[editar] Caminho das mãos vazias

Predefinição:Artigo principal

Os esforços de Itosu, a despeito de não gerarem os efeitos almejados, frutificaram nas mãos de seus alunos. Mestre Kenwa Mabuni, como forma de tributo, sistematizou todos os ensinamentos aprendidos no estilo Shito-ryu, que pretende fundir os estilos Shuri-te e Naha-te e com isso veio a preservar muitas variações de kata. Mestre Choshin Chibana, por seu turno, compilou seu conhecimento no estilo Kobayashi-ryu, pretendendo preservar as exatas formas por ele aprendidas de Matsumura e Itosu<ref>Predefinição:Link</ref>.

Entretanto, coube a Gichin Funakoshi completar do mestre Itosu. Funakoshi, sem olvidar que foi ladeado pelos colegas, logrou êxito em difundir o caratê pelo arquipélago japonês. As técnicas do estilo iniciado por Funakoshi baseiam-se no caratê de Itosu, mas dando mais ênfase ao aspecto formativo da personalidade.

A despeito de vários pedidos para a não exibição de vários mestres que não viam com bons olhos a divulgacão, Funakoshi levou o carate até o sistema público de ensino, com a ajuda de seu mestre Anko Itosu e, em pouco tempo, a arte marcial já fazia parte do currículo escolar como disciplina física/esportiva, dando um impulso extraordinária, com o caratê sendo praticado em vários sítios e sendo bastante apreciado e valorizado localmente.

Entre 1902 e 1915, Sensei Funakoshi viajou com seus melhores alunos por toda Oquinaua realizando demonstrações públicas de caratê e calho de o inspetor de Educação da "nova" prefeitura, Shintaro Ogawa, estava particularmente interessado no processo seletivo para ingresso nas forças armadas, preocupado em obter um bom grupo, composto por jovens de boa índoles (valores) e boa compleição. Ogawa ficou impressionado, que escreveu ao continente dando as novas<ref name="Ogawa"/>.

Sucedeu de o Almirante Rokuro Yashiro assistir a uma daquelas demonstrações, explicadas por Funakoshi, enquanto seus alunos executavam kata, quebravam telhas e faziam outras proezas, que expunham a eficácia do condicionamento físico. O almirante ficou muito impressionado e ordenou que seus homens que iniciassem o treinamento de imediato. Sucedeu também de, em 1912, o comando Almirante Dewa escolher doze de seus homens para treinarem caratê por uma semana, enquanto estivessem ancorados nas imediações. As novas levadas por esses dois oficiais levaram o caratê a ser mais comentado no Japão<ref name="Ogawa"/>.

Calhou de, em 1921, o então príncipe herdeiro e futuro imperador Hirohito assistir a uma dessas demonstrações, pelo que ficou admirado e pediu a feitura de um evento nacional em Tóquio, reazlizado em 1922. O evento foi muito bem sucedido e ocasionou de o mestre Funakoshi ser coberto de convites para apresentar sua arte e um desses convites foi feito por Jigoro Kano, para ser feito no instituto Kodokan.

Durante o evento, que levantou a plateia, mestre Funakoshi foi convencido a permanecer no Japão e, com a ajuda de Jigoro Kano, de que se tornou amigo íntimo, o caratê foi difundido.

Como muitas das artes marciais praticadas no Japão, o caratê fez a sua transição para o Predefinição:Nihongo. A partícula do significa caminho, palavra que é análoga ao familiar conceito de tao<ref name="Anam">Predefinição:Link.</ref>. Daí que o caratê deixou de ser encarado apenas em seu aspecto técnico, ou jitsu, para ser realçado o filosófico.

Como foi adotado na moderna cultura japonesa, o caratê está imbuído de certos elementos do zen budismo, sendo que a prática do caratê algumas vezes é chamada de "zen em movimento". As aulas frequentemente começam e terminam com curtos períodos de meditação. Também a repetição de movimentos, como a executada no kata, é consistente com a meditação zen pretendendo maximizar o autocontrole, a atenção, a força e velocidade, mesmo em condições adversas. A influência do zen nesta arte marcial depende muito da interpretação de cada instrutor.

Devido aos esforços de Funakoshi o caratê passou a ser ensinado nas universidades de Shoka, Takushoku, Waseda e Faculdade de Medicina.

A modernização e sistematização do caratê no Japão também incluiu a adoção do uniforme branco (quimono ou karategi) e de faixas coloridas indicadoras do estágio alcançado pelo aluno, ambos criados e popularizados por Jigoro Kano, fundador do judô.

As contribuições de Jigoro Kano não se limitam ao uniforme de treinamento e à padronização das graduações, mas vão até a técnicas, que forma compiladas dentro do estilo Shotokan. O conceito de do, ainda que latente há muito, foi de certa forma incorporado segundo suas ideias.

Depois que Funakoshi demonstrou o caratê, outros mestres de Oquinaua seguiram seu exemplo e se foram, no fito de conseguir novos alunos e divulgar ainda mais. Um deaqueles mestres era Kenwa Mabuni, que se fixou em Osaca e, no ano de 1931, criou a Dai-Nihon Karate-do Kai, para dar apoio a seu estilo, que foi registrado, primeiro como Hanko-ryu, e, depois, Shito-ryu.

Entrementes, durante a década de 1930, que a a Associação Japonesa de Artes Marciais, Butoku-kai, reconheceu oficialmente o caratê como arte marcial nipônica e requereu que todas as escolas fizessem registro na entidade<ref>Associação Portuguesa de Karate-Do - Cronologia</ref>, fornecendo os nomes dos estilos.

Em maio de 1949, alguns discípulos de Funakoshi criaram uma associação cujo escopo principal seria a promoção do caratê. O nome dado foi Nihon Karate Kyokai, ou Associação Japonesa de Caratê (Japan Karate Association - JKA, em inglês), e o primeiro presidente foi Saigo Kichinosuke, membro da Câmara Alta do Japão, neto de Saigo Takamori, um dos maiores heróis do Japão Meiji.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o caratê tornou-se popular na Coréia do Sul sob os nomes tangsudo ou kongsudo quando a pratica do taekwondo foi proibida pelos japoneses após sua invasão.

Após a Segunda Guerra Mundial, o mestre Funakoshi com seus alunos conseguiram que o Ministério da Educação classificasse o caratê como educação física e não como arte marcial, tornando possível seu ensin, durante a ocupação do Japão. Depois dos EE.UU. o caratê foi difundido pela Europa e o mundo<ref>Predefinição:Link.</ref>.

[editar] Atualidades

Posto que mestre Funakoshi pregasse que o caratê era uma arte marcial única, que as variações nas formas, nos estilos, deviam-se precipuamente às idiossincrasias e que jamais denominou sua linhagem de estilo, ainda durante sua existência e persistindo até os dias atuais, o que sucedeu foi uma proliferação de estilos, escolas e linhagens diferentes.

A grande variedade de estilos e escolas, se por um lado facilita essa disseminação, por outro, causou enormes dissenções e cisões entre entidades e representantes. Muitas vezes, o que motivou a cisão foram disputas políticas e/ou ideológicas.

Depois de criada por discípulos de Funakoshi, a quem aclamaram o como líder, em 10 de abril de 1957, a JKA ganhou a condição de entidade oficial, mas, cerca de duas semanas depois, o grande mestre faleceu com a idade de 89.

Em 19 de junho de 1999, depois de muitos anos e muitos episódios marcados pela discórdia, na 109ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional - COI, confirmou-se o reconhecimento da Federação Mundial de Caratê (World Karate Federation - WKF, em inglês) como o ente governativo do caratê mundial, o que significava o também reconhecimento do esporte como esporte candidato a figurar nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, como esporte de demonstração, cuja confirmação dar-se-ia na 111ª Session do Comitê, para o ano seguinte<ref name="Olim"/>.

O COI estabece dois parâmatros para a aceitação de um esporte como olímpico: ser praticado em muitos países (membros) e ser representado por uma entidade mundialmente reconhecida. Aparentemente, o caratê possui esses dois requisitos, porém, nos anos de 2005 e 2009, foi negada a participação<ref>Predefinição:Link</ref>. E, para os jogos de 2012, ainda o caratê não é listado<ref>Predefinição:Link</ref>.

[editar] No Brasil

Da mesma forma como sucedeu com outras artes marciais japonesas, o caratê foi introduzido no Brasil com a chegada de imgrantes japoneses no começo do século XX. Pero somente no ano de 1956, o sensei Mitsuke Harada (Shotokan)<ref>Predefinição:Link</ref> instala o primeiro dojô em São Paulo. A esse exemplo seguiram os mestres Juichi Sagara (Shotokan), em 1957; Seichi Akamine (Goju-ryu), em 1958; Koji Takamatsu (Wado-ryu); Takeo Suzuki (Wado-ryu); Michizo Buyo (Wado-ryu); Yoshide Shinzato (Shorin-ryu); Akyo Yokoyama (Kenyu-ryu)<ref>Predefinição:Link</ref>.

[editar] Ética e filosofia

Além das mudanças para facilitar a divulgação do caratê, Sensei Funakoshi foi eficaz em imprimir solenidade aos treinamentos, respeito para com mestres, instrutores e praticantes, de forma mútua, o que realça o carácter de formação de bons indivíduos.

O treinamento tradicional de caratê dever começar e terminar com um breve momento de meditação, Mokuso, cuja finalidade é preparar o carateca para os ensinamentos que receberá e, depois, refletir sobre os mesmos. A cada momento ou exercício faz-se saudação no começo e no fim, sendo costume difundido em vários dojôs fazer uma reverência ao entrar e sair do sítio.

Esse carácter mais abrangente do caratê é bem visível pela partícula Predefinição:Nihongo de seu nome. Tais princípios, posto que a grande mudança filosófica ocorrida nas artes marciais japonesas possa ser concontrado na transição do século XIX para o XX, suas raízes remontam bem mais no passado.

O monge Peichin Takahara foi o primeiro a descrever a filosofia do "dô", do caminho de evolução que são as artes marciais. Ainda no século XVII, ele desceveu as três vertentes que, combinadas, culminam na evolução da pessoa: ijo, e katsu.

  • Predefinição:Nihongo pode ser expresso em atitudes pró-ativas em favor de terceiro. Também se diz que a forma ijo respousa na compaixão, humildade, no recato.
  • Predefinição:Nihongo é o compromisso, isto é, a dedicação que alguém tem para com algo; no caso, o afinco com que um carateca treina os conhecimentos ensinados, a seriedade e devoção que nutre, além, para com seu mestre e colagas.
  • Predefinição:Nihongo reflete-se no conhecimento, na compreensão que a arte marcial possui, mas compreendida nos mínimos detalhes e em que momentos, da vida ou de um enfrentmento real, farão sentido.

O conceito do caminho evolutivo que é a prática do caratê pode ser achado em todas as artes marciais japonesas, é uma leitura japonesa do Tao. Como caminho, deve ser interpretado de forma abrangente/ampla, para a compreensão de um ciclo de vida, eis que o caminho é já pré-determinado, em que há uma relação de interdependência de todas as coisas e situações.

120px|thumb|SamuraiNesta cércea, o caratê se insere como uma das disciplinas do Bushido, o código de ética do guerreiro. Assim, o caratê é muito mais do que uma forma de luta (o "dô" rejeita esta visão limitada), é um modo de vida.

[editar] Dojo kun

A par dos princípios básicos elencados e tendo em foco o Bushido, o mestre Kanga Sakukawa elaboubou um código, o Dojo kun, para servir de norte à prática do caratê. Tal código é composto por cinco regras:

  1. Esforçar-se para a formação do caráter.
  2. Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.
  3. Criar o intuito do esforço.
  4. Respeito acima de tudo.
  5. Conter o espírito de agressão.

[editar] Tode jukun

Sensei Anko Itosu, quando se dirigiu aos administradores japoneses, no fito de divulgar o caratê por tod'o Japão, referiu-se à sua arte marcial em forma de princípios que poderiam ser facilmente compeendidos. Assim, tal conjunto de princípios ficou conhecido como Tode jukun, ou os Dez Princípios do Tode.

  1. O caratê não é praticado apenas para o benefício individual, pode ser usado para proteger sua família e seu mestre. Ele não é pensado para ser utilizado apenas contra um único bandido, mas sim, como uma forma de se evitar uma briga caso se venha a ser confrontado com um vilão ou um valentão.
  2. O propósito do caratê é tornar os músculos e ossos duros como rochas e usar as mãos e pernas como lanças. Se as crianças iniciassem a treinar naturalmente nas proezas militares enquanto na escola fundamental elas ficariam aptas ao serviço militar...
  3. O caratê não pode ser aprendido rapidamente...
  4. Em caratê, reinamento das mãos e dos pés é importante, então você deve treinar meticulosamente com makiwara. Para fazer isso, abaixe seus ombros, abra os pulmões, reúna sua força, agarre o chão com os pés e concentre sua energia no baixo abdômen. Pratique utilizando cada braço de cem a duzentas vezes por dia.
  5. Quando praticar as bases do caratê certifique-se de manter as costas eretas, ombros abaixados, colocar a força em suas pernas, manter-se firme e direcione a energia para o baixo abdômen.
  6. Pratique cada uma das técnicas do caratê repetidamente. Aprenda bem as interpretações de cada técnica e decida quando e de que maneira aplicá-las quando necessário...
  7. Vós deveis decidir se o caratê é para saúde ou para auxiliar nos deveres.
  8. Quando treinar, faça como se estivesse no campo de batalha. Seus olhos devem ficar penetrantes, os ombros baixos e o corpo endurecido. Deve-se treinar sempre com intensidade e espírito como se realmente estivesse encarando o inimigo e desta forma naturalmente ficar-se-á pronto.
  9. Se se usar excessivamente sua força no treinamento de caratê isso irá causar a perda de energia no baixo abdômen e será perigoso para o corpo. Os olhos e o rosto ficarão vermelhos. Ser cuidadoso para controlar o treinamento.
  10. [...] O caratê auxilia no desenvolvimento de ossos e músculos. Ajuda tanto na digestão quanto na circulação...

[editar] Niju kun

Imbuído pelo conceito do "dô" e a exemplo do que fizeram os mestres do passado, em particular, seu instrutor directo, mestre Sakukawa, Gishin Funakoshi elaborou um código ético, Niju kun, o qual seria difundido em sua escola, mas se acabou por espraiar por outros dojôs. O nome significa literalmente as vinte regras e são as seguintes:

  1. Não se esqueça que o caratê deve iniciar com saudação e terminar com saudação.
  2. No caratê não existe atitude ofensiva.
  3. O caratê é um apoio da justiça.
  4. Conheça a si próprio antes de julgar os outros.
  5. O espírito é mais importante do que a técnica.
  6. Evitar o descontrole do equilíbrio mental.
  7. Os infortúnios são causados pela negligência.
  8. O caratê não se limita apenas à academia.
  9. O aprendizado do caratê deve ser perseguido durante toda a vida.
  10. O caratê dará frutos quando associado à vida cotidiana.
  11. O carate é como água quente. Se não receber calor constantemente, esfria.
  12. Não pense em vencer, pense em não ser vencido.
  13. Mude de atitude conforme o adversário.
  14. A luta depende de como se usam os pontos fracos e fortes.
  15. Imagine que os membros de seus adversários são como espadas.
  16. Para cada homem que sai do seu portão, existem milhões de adversários.
  17. No início, os movimentos são artificiais, mas com a evolução tornam-se naturais.
  18. O treino das técnicas deve ser de acordo com o movimento correto, pero na aplicação torna-se diferente.
  19. Não se esqueça de aplicar corretamente: (1) alta e baixa intensidade de força; (2) expansão e contração corporal; (3) técnicas lentas e rápidas.
  20. Estudar, praticar e aperfeiçoar-se sempre.


[editar] Graduação

As Artes Marciais provenientes do Japão e Okinawa, apresentam uma variedade de títulos e classes de graduações. O sistema atual de graduação de faixas coloridas é o mais aceito; antes disso, muitos métodos distintos eram usados para marcar os vários níveis dos praticantes. Alguns sistemas recorriam a três tipos de certificados para seus membros: Shodan ou Shoudan: significando que se havia adquirido o status de principiante. Chudan ou Chuudan: significava a obtenção de um nível médio de prática. Isso significava que o indivíduo estava seriamente comprometido com sua aprendizagem, sua escola e seu mestre. Jodan ou Joudan: a graduação mais alta. Significava o ingresso no Okuden (escola, sistema e tradição secreta das artes marciais). Se o indivíduo permanecia dez anos ou mais junto ao seu mestre , demonstrando interesse e dedicação, recebia o Menkyo, a licença que permitia ensinar. Essa licença podia ter diferentes denominações como: Sensei, Shihan, Hanshi, Renshi, Kyoshi, dependendo de cada sistema em particular. A licença definitiva, que podia legar e outorgar acima do Menkyo, era o certificado Kaiden: além de habilitado a ensinar, implicava que a pessoa havia completado integralmente o aprendizado do sistema. O sistema atual que rege a maioria das artes marciais usando Kyu ("classe") e Dan ("grau") , foi criado por Jigoro Kano, o fundador do Judô. Kano era um educador e conhecia as pessoas, sabendo que são muitos os que necessitam de estímulos imediatamente depois de haver começado a praticar artes marciais. A ansiedade desse tipo de praticante não pode ser saciada por objetivos a longo prazo. A graduação no karatê é importante para indicar o nível de experiência dos praticantes, e é vista como sinal de respeito para os atletas menos graduados. Para demonstrar a graduação, os caratecas usam uma faixa de determinada cor na região da cintura. A ordem das cores das graduações varia de estilo para estilo, mas, como padrão, a faixa iniciante é a de cor branca. Na classificação de faixas coloridas, Kyu significa classe, sendo que essa classificação é em ordem decrescente. Na classificação de faixas pretas, Dan significa grau, sendo a primeira faixa-preta a de 1º Dan, a segunda faixa-preta, 2º Dan, e assim por diante, em ordem crescente, até o 10º Dan. Em um plano simbólico, o branco representa a pureza do principiante, e o preto se refere aos conhecimentos apurados durante anos de treinamento.

[editar] Estilos

Predefinição:Anexo No caratê há um grande número de estilos e escolas. Os mais conhecidos atualmente são Shotokan, a escola Shotokai, Shorin-ryu, Goju-ryu, Uechi Ryu , Wado-ryu e Shito-ryu. Todos eles criados na primeira metade do século XX, exceto o shorin ryu. O Kyokushin ("verdade final") é outro estilo muito popular, apesar de mais recente. Além desses, existem: Shobayashi, Matsubayashi-ryu, Kobayashi-ryu, Matsumura Seito e Matsumura Motobu. Desses se originaram estilos como Chito-ryu, Shorinji-ryu (Kempo) e Shorei-ryu. Outros estilos importantes incluem o Seido, Shudokan, Shukokai, Kenyu Ryu, Isshin-ryu e Shindo-jinen-ryu. Alguns mestres do caratê criaram estilos que são a combinação de vários estilos, como o JIKC (Japanese International Karate Center) ou o Kata shubu do ryu. O caratê é divido em estilos e escolas, que podem ter ainda várias linhagens. A Federação Mundial de Caratê (World Karate Federation - WKF) reconhece oficiamente apenas os seguintes estilos: Shotokan-ryu, Shito-ryu, Goju-ryu e Wado-ryu. Por sua vez, a Uniõa Mundial das Federações de Karate-do (World Union of Karate-do Federations - WUKF)<ref>Predefinição:Link</ref> reconhece a oito: os reconhecidos pela WKF mais Shorin-ryu, Uechi-ryu, Kyokushinkai e Budokan.


Pode-se listar os seguintes estilos:

Abaixo as cores de graduação por estilo:


[editar] Goju-Ryu

  • Branco:9º kyu
  • Amarelo:8ºkyu
  • Laranja:7ºkyu
  • Azul: 6ºkyu
  • Verde: 5ºkyu
  • Roxo: 4ºkyu
  • Marrom: 3ºkyu a 1º kyu
  • Preta 1º Dan a 10º Dan (10º Dan: existe um só no mundo inteiro e constitui a entidade máxima)

Graduaçao utilizada na Federaçao Nacional de Karatê - Brasil

[editar] Shotokan

  • Branca (7º Kyu)
  • Azul Claro (dado para crianças menores de 6 anos, o mesmo que amarela )
  • Amarela (6º Kyu)
  • Vermelha (5º Kyu)
  • Laranja(4° Kyu)
  • Verde (3º Kyu)
  • Roxa (2º Kyu)
  • Marrom (1º Kyu)
  • Preta (1º a 10º Dan)

(sendo do 1º ao 3º dans brancos, 4º vermelhos,5º e 6º prata e 7º,8º,9º e 10º dourado)

(4º dans faixa vermelha e preta,5º,6ºe 7º coral sendo vermelho e branco. 8º,9º e 10º faixa branca)

[editar] Kenyu-Ryu

  • Branco 6º kyu
  • Amarelo 5º kyu
  • Laranja 4º kyu
  • Verde 3º kyu
  • Roxo 2º kyu
  • Marrom 1º kyu

Preto 1º Dan a 10º dan


[editar] Goju-Kai Linhagem de Gogen Yamaguchi (IKGA)

  • Branco 7º kyu
  • Amarelo 6 kyu
  • Laranja 5º kyu
  • Azul 4º kyu
  • Verde 3º kyu
  • Roxa 2º kyu
  • Marrom 1º kyu
  • Preto 1º Dan a 9º dan (o 10º Dan só é legado ao fundador)


[editar] Goju-ryu Seigokan

  • Branca (12º Kyu)
  • Branca uma ponta(11° kyu) (para menores de 7 anos)
  • Branca duas pontas (10º Kyu) (para menores de 7 anos)
  • Amarela (9º Kyu)
  • Amarela uma ponta (8º Kyu)
  • Amarela duas pontas (7º Kyu)
  • Verde (6º Kyu)
  • Verde uma ponta(5º Kyu)
  • Verde duas pontas(4º Kyu)
  • Marrom (3º Kyu)
  • Marrom uma pontas(2º Kyu)
  • Marrom duas pontas(1º Kyu)
  • Preta (1º ao 10º Dan)


No Brasil começa-se no 13º kyu e, além de faixa branca, o sistema de pontas é utilizado na seguinte faixa:


  • Cinza (12º kyu)
  • Cinza uma ponta (11º kyu)
  • Cinza duas pontas (10º kyu)

Cada país escolhe a melhor forma de colocar as pontas. No Brasil, utilizam-se pontas pretas, como no Japão; mas, na Europa, as pontas são conforme as cores da próxima faixa (ex.: amarela, com uma ponta verde).


[editar] Genseiryu

  • Ao Obi (9° kyu) Blue
  • Ao Obi (8° kyu) Blue
  • Ao Obi (7° kyu) Blue
  • Midori Obi (6° kyu) Green
  • Midori Obi (5° kyu) Green
  • Midori Obi (4° kyu) Green
  • Murasaki Obi (3° kyu)
  • Murasaki obi (2° kyu)
  • Tyaro Obi (1° kiu)
  • Kuro Obi (1° Dan) Black


[editar] Toshinkai

  • Branca (10º Kyu)
  • Laranja (9º Kyu) - esta, apenas para menores de 14 anos
  • Amarela/Branca (8º Kyu)
  • Amarela (7º Kyu)
  • Azul/Branca (6º Kyu)
  • Azul (5º Kyu)
  • Verde/Branca (4º Kyu)
  • Verde (3º Kyu)
  • Marrom/Branca (2º Kyu)
  • Marrom (1º Kyu)
  • Preta (1º a 8º Dan)


[editar] Taiyokan

  • Branca (10º Kyu) - Faixa exclusiva para crianças
  • Cinza (9º Kyu) - Faixa exclusiva para crianças
  • Azul Clara (8º Kyu) - Faixa exclusiva para crianças
  • Azul Escura (7º Kyu) - Faixa exclusiva para crianças
  • Amarela (6º Kyu)
  • Laranja (5º Kyu)
  • Vermelha (4º Kyu)
  • Verde (3º Kyu)
  • Roxa (2º Kyu)
  • Marrom (1º Kyu)
  • Preta (1º a 10º Dan)


[editar] Seiwakai

  • Branco (9 kyu)
  • Azul (8º à 7º Kyu)
  • Amarela (6º à 5º Kyu)
  • Verde (4º à 3º Kyu)
  • Marrom (2º à 1º Kyu)
  • Preta (1º a 10º Dan)


[editar] Kyokushin

  • Branca (10° kyu)
  • Laranja (9° kyu)
  • Azul (8° a 7° kyu)
  • Amarela (6° a 5° kyu)
  • Verde (4° a 3° kyu)
  • Marrom (2° a 1° kyu)
  • Preta (1° a 9° Dan)
  • Faixa Branca 7º Kyu (Iniciante) Faixa Amarela 6º Kyu Faixa Vermelha 5º Kyu Faixa Laranja 4º Kyu Faixa Verde 3º Kyu * Faixa Roxa

2º Kyu Faixa Marrom 1º Kyu

Faixa Preta 1º DAN

[editar] Shorin-Ryu

  • Branca (7º Kyu)
  • Vermelha (graduação intermediária, em desuso, concedida para crianças de até 9 anos)
  • Amarela (6º Kyu)
  • Laranja (5º Kyu)
  • Azul (4º Kyu)
  • Verde (3º Kyu)
  • Roxa (2º Kyu)
  • Marrom (1º Kyu)
  • Preta (1º a 6º Dan)
  • Vermelha e Branca (7º e 8° Dan)
Ferramentas pessoais